"Septivium" designava, durante a Idade Média, a totalidade das artes liberais.Constituído pelo "Trivium" e pelo "Quadrivium".Implica que nenhum assunto será vedado.Relembra também as nossas raízes Cristãs.

05
Nov 09

 

E o cerne da questão é que tal formulação é essencialmente... teleológica.

 

O que é curioso é que toda esta prosápia aparenta uma visão teológica... liberal. Não importará o que verdadeiramente se acredita. Eu acredito nisto, tua acreditas em algo completamente diferente. Pouco importará, desde que o respectivo sistema de crenças seja importante para cada um de nós. Steven Weinberg, ateu, estava em desacordo com os "fundamentalistas", mas estes, segundo ele, pelo menos ainda sabiam o que era acreditar em algo. Novamente, segundo Weinberg, os liberais em questões religiosas nem seqier chegavam a errar (dado que não tinham  pretensões a acertar). Enfim, que isto não permita qualquer extrapolação às minhas convicções, mas, continuando com a citação, chamava-lhes "loucos empolados"...

 

Áh, mas curioso, é Carreira das Neves que Tiago Cavaco acusa de ter uma interpretação "liberal" da Bíblia. Por não ser literalista.

Os meusconhecimentos de exegese bíblica são mínimos, mas ainda assim...

 

Acreditará num mundo com 6000 anos? Explicará a presença de fósseis seguindo Gosse? Admitirá que as significações de cada episódio se esvaem na sua interpretação literal? (quanto a isto recordo-me de ter lido "lhures de um qualquer crítico que notava que, hoje em dia, raramente um vizinho tem um jumento que possamos cobiçar) Não é o próprio Cristo que utiliza uma linguagem metafórica? A requerer um posterior aclaramento? Na medida em que entidades finitas e criadas poderão compreender Deus...

 

Meus caros, é na Igreja Católica que se encontra o plemo Cristianismo. Como notava Gilson, as igrejas reformadas praticamente não possuem uma teologia para lá da Católica. Newman, já depois da sua conversão, igualava o Catolicismo com o pleno teísmo. As restantes confissões são pontos intermédios até aos ateísmo.

 

A preocupação católica é com a Verdade. E ela pertence plenamente a Deus. Não à opinião individual. Falível, mutável. Tal como em ciência a última palavra cabe ao real na refutação ou aceitação de conjecturas. Só uma crença verdadeiramente Católica, universal pode ser verdadeira. Acreditada sempre, em todo o lado, por todos. Por isso a preocipação histórica com interpretações transviadas aos textos sagrados. Sim, a polémica é possível. Mas, no final, o teólogo, ou o mero leitor, deverá aceitar que a Igreja, iluminada pelo Espírito, é mais sábia do que ele. Hoje, qualquer católico pode, e deve, ler a Bíblia. Mas deve atentar à densidade do que lê e utilizar da prudência e humildade. E procurar saber o que a Igreja proclama. A Igreja que é uma comunidade supra-histórica. Dos vivos, dos mortos e dos que hão-de  vir. Em unidade com Deus.

 

E, afinal, existem espaços para optimismos, meliorismo, na Bíblia? Há espaço para a Esperança?

 

Sim, é verdade, existe o Pecado Original. Marca indelével de mal no Homem. E na Criação. Mas não podemos esquecer que "onde abundou o mal, super-abundou a graça". "Ó feliz culpa, que mereceu uma tão excelsa redenção!"

 

(cont.)

publicado por J às 15:13

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