"Septivium" designava, durante a Idade Média, a totalidade das artes liberais.Constituído pelo "Trivium" e pelo "Quadrivium".Implica que nenhum assunto será vedado.Relembra também as nossas raízes Cristãs.

26
Set 09

 

 

Confesso que uma das causas desta minha decisão de criar esta coisa neste momento foi a doce ilusão de que as minhas lucubrações tenham um impacto nas escolhas de domingo... ah, ah, ah... Quem é que acreditou realmente nisto?
Não, nada de tão faraónico.

O objectivo disto é descarregar a "bílis".
Muito mais prosaico, mas bem mais razoável.

Um dos episódios que mais tinta fez correr e mais minutos ocupou nas televisões (aliás, na sua pressurosa tendência para resumirem-se ao "sound byte" mais canhestro) foi a conversa em torno da "procriação", saída da boca da líder do PSD aquando de mais uma discussão lançada por mais um tema da alienada agenda fracturante do Bloco (que aliás, insensatamente, o PS, acicatado pela sua juventude partidária, essas realidades perfeitamente inúteis, toma como seu) sobre o designado "casamento homossexual".

Um dos efeitos mais notáveis do modo como as televisões e a generalidade dos meios de comunicação social se organizam é a sua tendência para reduzirem tudo a um debate típico do pátio de uma Secundária. O que o mesmo é dizer, reduzirem tudo ao nível de um para-analfabetismo. Ninguém perde mais do que 5 minutos a inteirar-se do que quer que seja, o que significa que a maior das opiniões se reduzam ao debitar de fórmulas impressivas, de um jargão convencionado, de uma visão limitada e limitadora da realidade.

Frank Tipler, um nome que irei repetir muito frequentemente neste blogue, conta que a certa altura, num colóquio sobre a obra do Aquinate, o orador refere a problemática, discutida por ele, em torno da ressurreição dos canibais. Um problema, dado que caso a ressurreição fosse realizada por Deus pela reunificação dos elementos constituídos pelos corpos, os dos canibais seriam constituídos pelos de outros indivíduos, o que impossibilitaria a sua ressurreição. Conta Tipler que a audiência se riu ruidosamente.

Ora o que é isso significava? Ignorância. No exemplo dos canibais, Tomás de Aquino pretendia tratar do grande problema de qualquer modelo de ressurreição, ou seja a continuidade da identidade entre o morto e o ressuscitado (não esqueçamos que era justamente aqui que a crítica de Flew incidia). Como argumenta Tipler, qualquer reflexão séria sobre a problemática da ressurreição já há muito teria encontrado o texto de Tomás de Aquino. A risota, motivada pelo primeiro contacto com o exemplo, não aconteceria. Conclui Tipler que a audiência, composta essencialmente por professores de religião americanos, nunca se debruçou sobre a espinhosa questão da ressurreição.

Neste caso da "procriação" a situação é similar.
Quando vou a um qualquer dicionário, o conceito que lhe é associado, invariavelmente surge com esta identificação. "Procriação" é o termo clássico. Com um peso que a sua utilização ao longo da História lhe dá. Nos últimos números da "Brotéria" (em que esta questão é tratada com profundidade), invariavelmente este termo surge.

O repúdio visceral que é sentido ao pronunciar do termo apenas sugere o afastamento da questão e a ignorância dos conceitos. E uma tendência nominalista impressiva que na pura arbitrariedade da sua vontade julga que pode reescrever a própria essência da Verdade.

Já agora quanto à "união de facto" (um neologismo delicioso) a questão é similar.
O meu dicionário não comporta tal termo, mas o conceito que lhe é associado é absolutamente clássico. Privo-me de o escrever, de tão óbvio que é... (E porque não quero, para já!, chocar a sensibilidade das brigadas do politicamente correcto)

publicado por J às 10:30

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