"Septivium" designava, durante a Idade Média, a totalidade das artes liberais.Constituído pelo "Trivium" e pelo "Quadrivium".Implica que nenhum assunto será vedado.Relembra também as nossas raízes Cristãs.

26
Set 09

 

Enfim, um slogan é um slogan.
Seguramente não é para se levar lá muito a sério.
Quando falamos de um slogan político o que foi dito deve ser entendido com redobrada força. Abundam os desconchavos. E não apenas nos slogans.

Tudo o que tendo a rodear a propaganda política é uma tolice pegada.

Diga-se que a minha memória apenas alcança as eleições ganhas pelo Eng. Guterres, nos quais os tempos de antena, além de concebidos, pela primeira vez, por um publicitário profissional, salvo erro que inclusivamente apresentou programas na Televisão, eram embalados pela banda sonora de um filme. Conhecem bem a coisa. Uma música épica , retumbante. Se na altura dava a impressão que o Eng. Guterres se preparava para redescobrir a América, agora aparente que o Eng. Sócrates se prepara para combater no coliseu. Sim, sei que não estou a mencionar o menino guerreiro, mas aquilo correu tão mal quem nem merece a referência, não acham?

E claro, invariavelmente lá aparecem os apresentadores de TV, e as estrelas de desporto (mas será que a Rosa Mota não se cansa de correr ao lado dos sucessivos líderes do PS?) e os actores de telenovelas (que inclusivamente fizeram uma "perninha" por alturas do patético referendo ao aborto. Recordo-me de ver a criatura que participou naquela adaptação "softcore" do livro do Eça a pretender transmitir, a algum indeciso, a bondade da sua facção. A pergunta, mais se aquela gente realmente se leva a sério, é se existe de facto alguém cuja vida mental, ou ausência dela, lhe permita ser convencido por alguma destas figuras. A mim nem um churro de chocolate me vendiam...).

Agora, sobre o slogan do PSD, "Verdade", há malta que se insurge.
E o que dizem? O costume, "Nazis". Assim. Sem mais.
Como alguém escrevia, quando um esquerdista debate com um conservador a oposição do primeiro ao segundo nunca é só epistemológica. É também moral. Ele não está só errado. Nem sequer porque é estúpido. Não, é preciso mais. O gajo diz isso porque é um sacana dum fascista.

Esta nova esquerda, pós-modernista, inclusive já esqueceu de onde vem.
Na verdade o nosso Marx, não fez as suas lucubrações por problemática moral. A ele não o movia a melhoria das condições do proletariado. Aliás, recorde-se que ele rompe com os grupos sociais-democratas justamente por causa da sua transigência com o capitalismo. No marxismo quanto pior, melhor. Quanto mais degradantes forem as condições do proletariado, mais rapidamente se disseminará a necessidade da revolução.

E esta pouco importa a necessidade meramente moral de justiça social. Não. Ela chega por necessidade científica. Os capitalistas, mesmo que quisessem, não poderiam senão agir rumo à sua auto-destruição. O avento do socialismo está impresso nas próprias leis que regulam a evolução histórica. O capitalismo, na sua própria essência, é autofágico.

Engels, aquando do elogio fúnebre de Marx, defendeu que este tinha descoberto as leis que regiam a história humana., tal como Darwin tinha descoberto as que o faziam em relação à história natural.

A preocupação com a "Verdade", é evidente.

É com o fracasso da visão materialista da História que a extrema-esquerda se torna relativista. (Bem entendido que já, ortodoxamente, o que, inclusive vinha do Hegelianismo, existiam concepções que eram datadas. A serem superadas num momento superior da dialéctica do real. Mas entendamos que isto não se aplicava ao sistema em si. Sim, é verdade que a moral burguesa seria superada, mas o sistema marxista, que se suponha a expressão da inteligibilidade do real - em Engels, numa acepção mística, aliás, a dialéctica humana era mera expressão duma dialéctica mais global. Da natureza tida como um todo.)

Já que o marxismo não é verdadeiro, simplesmente não há verdade.
Todos os sistemas são relativos e não pode ser feita uma escolha entre eles.

Como todos os relativismos, como Platão notava em relação ao de Protágoras, também este é construído sobre areia.

A coerência racional é nula.

Qualquer proposição aspira à Verdade.
Enfim, este é um tema muito complexo e nem sequer me reconheço competência para o tratar, mas num esquiço muito grosseiro o que posso dizer é isto.

Já lá perguntava Pilatos "O que é a verdade?". Para já, não mencionando a resposta óbvia (noutra passagem Alguém explica que é "O Caminho, A Verdade e A Vida.") existem fundamentalmente duas respostas.

A Verdade como coerência.
Digamos, uma dada proposição é verdadeira se não for auto-contraditória e se for congruente com as restantes com constituem o sistema.

A Verdade como adequação do entendimento à realidade.
Uma proposição é verdadeira se descreve uma situação de facto existente.
(Por exemplo, a proposição "O alimento preferido dos Unicórnios são as cenouras." é contraditória porque não existem unicórnios. Digamos, eu não posso apontar para algures e dizer "Aqui está um unicórnio." É uma proposição contra-factual que pode ser entendida como essencialmente falaciosa.)

 

 

Hegel é certeiro quando refere que a Verdade só é verdade quando é conhecida por alguém.
Afinal, estranha Verdade seria essa se não fosse conhecida por ninguém...

Onde se equivoca é que não respeita o carácter igualmente transcendente de Deus. Imanentizando por completo o divino, não abrindo espaço para a transcendência, finitiza o infinito. Todo o horizonte onde o mundo (e Deus) se resolve é o humano.

Como todos os sistemas que pretendem dar conta da plenitude da realidade, são simplificações, meras caricaturas. A realidade não pode ser descrita em pormenor por uma entidade finita, que inclusive lhe é imanente. Essa descrição só pode estar presente ao Ser Infinito, de "fora".

Não obstante o seu carácter ultimamente inatingível, a Verdade mantêm-se sólida como Gibraltar. Mas o conhecimento humano dela é que só pode existir por sucessivas aclarações, por um refinamento das conjecturas e uma eliminação dos erros.

Mas é a Ela, à Verdade, que cabe a última palavra.
Porque o próprio Ser é a Verdade de Si mesmo.

A tentativa de desprezar sequer a tentativa de a alcançar só nos pode remeter para o logro, a ilusão. E seguramente que não terei que recordar como estas, inclusive em política, podem ser perigosas.

publicado por J às 10:32
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