"Septivium" designava, durante a Idade Média, a totalidade das artes liberais.Constituído pelo "Trivium" e pelo "Quadrivium".Implica que nenhum assunto será vedado.Relembra também as nossas raízes Cristãs.

09
Nov 09

 

 O leitor deverá estar de sobreaviso. Este opúsculo não versará sobre a nova distribuição partidária no parlamento. Fará letra morta da ascensão do CDS a terceira força política. Não lhe importará quem lidera no campo da extrema-esquerda.
E não.
Nem sequer cogitará, por um segundo que seja, os diferentes arranjos, maiorias avulsas ou acordos contingentes que o partido maioritário fará, por mais contrastantes que sejam, de modo a ter sucesso nos seus divergentes propósitos.
 
O seu mote será muito mais lírico…
A beleza, meus amigos, a beleza feminina.
 
É verdade que houveram algumas baixas.
A Teresa Caeiro partiu para Estrasburgo. A Joana Amaral Dias afastou-se do partido…apesar de, pessoalmente, sempre me ter parecido que existiam alguns excessos no grau da adjectivação usada… E existia uma candidata do PEV que não chegou a ser eleita. E, aqui confesso, que o meu sentimento é dúbio… Enfim, é verdade que isto significa que a dupla PCP-PEV está mais minguada sendo isso, como tal, um sinal de que Portugal, pelo menos isso, tem vontade de sair do eixo Caracas-Havana (ou seja, o eixo da esquerda alienada), mas é menos uma gata no parlamento…
 
Mas concentremo-nos nas duas grandes novidades do ciclo legislativo.
 
Como já todos suspeitarão por esta altura, falo das debutantes Rita Rato e Gabriela Canavilhas. Respectivamente nova deputada do PCP e nova Ministra da Cultura. Verdade seja dita isto já foi notado por quase todos. Desde a imprensa de referência até à outra, passando por humoristas.
 

  


Mas o que me importará realçar será o seguinte…
 
Repare-se que a Rita Rato é uma miúda com pouco mais de vinte anos. Inquestionavelmente uma gata e capaz de abrandar, até à estagnação, o fluxo automobilístico no tabuleiro da Ponte Vasco da Gama. Mas realcemos que disso é igualmente capaz Gabriela Canavilhas, sendo que esta tem cerca do dobro da idade da anterior.
 
O corolário disto é que há vinte anos, mais coisa menos coisa, esta mulher não parava somente o trânsito, mas, por igual, a própria revolução da Terra em torno do seu eixo. As consequências climatéricas do fenómeno seriam de que a alternância das estações seria já não controlada pela rotação do planeta, mas pela presença da Brasa. Onde ela se encontrava seríamos lançados para os píncaros do Verão mais ardente, quando ela se ausentava caíamos no Inverno mais glacial.

 


07
Nov 09

 

Há uma permanente tensão. Entre a interioridade e a exterioridade.

Mas não creio que nos possamos limitar a um fechamento em torno de si mesmo. À mera pretensão de aprimoramento pessoal. Bem sei, a minha alma e Deus. Mas não podemos esquecer… a Igreja. E com ela o Mundo.

 

Uma total renúncia ao mundo é algo próprio dos gnosticismo. Produto da assumpção da total corrupção da criação. Talvez por ser o produto de uma outra divindade. De um demiurgo… mau.

 

Não assim com o Cristianismo.

O Deus criador é também o Deus redentor.

 

Meus amigos, não esqueçamos que Deus é o Princípio e o Fim. O Alfa e o Ómega. Que tudo começou a existir por meio d’Ele. Que Ele está no mundo e este é d’Ele. Que é n’ele que existimos. Que nós somos templos de Deus e que o Seu Espírito em nós habita. Que somos membros de Cristo. Que nada nos pode afastar de Deus. Que tudo procede de Deus. Que é Deus que opera tudo em todos. Que haverá ressurreição dos mortos. Que Cristo é primícia dos ressuscitados. Que Deus será tudo em todos. Que o Reino é semelhante a um grão de mostarda ou ao fermento, que se desenvolvem, evoluem, crescem. Que nós subsistimos em Cristo, tal como as varas subsistem na videira. Que o Mundo e o Homem são guiados por uma providência de amor pessoal. Que ainda não se manifestou o que havemos de ser.

 

“Seja feita a Sua Vontade.”

Sim, que ela seja feita.

E de que modo?

Por Deus. E por nós, em co-actuação com Ele. Até ao dia em que O veremos tal como Ele é. E nos tornemos unos com Ele. No gozo da Infinita plenitude da vida trinitária. Porque, não nos esqueçamos, “Deus fez-se Homem para que o Homem se faça Deus”. A divinização do Homem, e com ele de tudo o resto, é o Fim de toda a Criação.

publicado por J às 16:50

05
Nov 09

 

E o cerne da questão é que tal formulação é essencialmente... teleológica.

 

O que é curioso é que toda esta prosápia aparenta uma visão teológica... liberal. Não importará o que verdadeiramente se acredita. Eu acredito nisto, tua acreditas em algo completamente diferente. Pouco importará, desde que o respectivo sistema de crenças seja importante para cada um de nós. Steven Weinberg, ateu, estava em desacordo com os "fundamentalistas", mas estes, segundo ele, pelo menos ainda sabiam o que era acreditar em algo. Novamente, segundo Weinberg, os liberais em questões religiosas nem seqier chegavam a errar (dado que não tinham  pretensões a acertar). Enfim, que isto não permita qualquer extrapolação às minhas convicções, mas, continuando com a citação, chamava-lhes "loucos empolados"...

 

Áh, mas curioso, é Carreira das Neves que Tiago Cavaco acusa de ter uma interpretação "liberal" da Bíblia. Por não ser literalista.

Os meusconhecimentos de exegese bíblica são mínimos, mas ainda assim...

 

Acreditará num mundo com 6000 anos? Explicará a presença de fósseis seguindo Gosse? Admitirá que as significações de cada episódio se esvaem na sua interpretação literal? (quanto a isto recordo-me de ter lido "lhures de um qualquer crítico que notava que, hoje em dia, raramente um vizinho tem um jumento que possamos cobiçar) Não é o próprio Cristo que utiliza uma linguagem metafórica? A requerer um posterior aclaramento? Na medida em que entidades finitas e criadas poderão compreender Deus...

 

Meus caros, é na Igreja Católica que se encontra o plemo Cristianismo. Como notava Gilson, as igrejas reformadas praticamente não possuem uma teologia para lá da Católica. Newman, já depois da sua conversão, igualava o Catolicismo com o pleno teísmo. As restantes confissões são pontos intermédios até aos ateísmo.

 

A preocupação católica é com a Verdade. E ela pertence plenamente a Deus. Não à opinião individual. Falível, mutável. Tal como em ciência a última palavra cabe ao real na refutação ou aceitação de conjecturas. Só uma crença verdadeiramente Católica, universal pode ser verdadeira. Acreditada sempre, em todo o lado, por todos. Por isso a preocipação histórica com interpretações transviadas aos textos sagrados. Sim, a polémica é possível. Mas, no final, o teólogo, ou o mero leitor, deverá aceitar que a Igreja, iluminada pelo Espírito, é mais sábia do que ele. Hoje, qualquer católico pode, e deve, ler a Bíblia. Mas deve atentar à densidade do que lê e utilizar da prudência e humildade. E procurar saber o que a Igreja proclama. A Igreja que é uma comunidade supra-histórica. Dos vivos, dos mortos e dos que hão-de  vir. Em unidade com Deus.

 

E, afinal, existem espaços para optimismos, meliorismo, na Bíblia? Há espaço para a Esperança?

 

Sim, é verdade, existe o Pecado Original. Marca indelével de mal no Homem. E na Criação. Mas não podemos esquecer que "onde abundou o mal, super-abundou a graça". "Ó feliz culpa, que mereceu uma tão excelsa redenção!"

 

(cont.)

publicado por J às 15:13

03
Nov 09

 

Para começar acho...irónico, na falta de melhor palavra, ler, naquilo que era uma revista conservadora, uma certa empatia pelo "pós-modernismo".

 

Nas palavras de Frank Tipler...

"Os jornais estão cheios de afirmações absurdas feitas por professores de Humanidades e Ciências Sociais das universidades de elite, justificando totalmente a afirmação de George Orwell de que algumas ideias são tão estúpidas de que só um intelectual poderia acreditar nelas. A irracionalidade no campo das Humanidades é frequentemente designada pós-modernismo."

 

É isto que aqui se trata? Uma apologia da irrazão? Ou, pior, a sua equiparação à Religião? Dawkins não diria melhor...

 

E a segunda parte? A mentira útil aplicada à religião? A sua redução ao sentimento? À sua utiliade social? Ou uma forma de "Dupla Verdade"? (Que, já agora, nunca realmente existiu, nemem Siger de Brabante.)

 

Lamento muito, mas tal caricatura nunca me arrancaria dos lençois ao domingo de manhã. Desde os seus primórdios que o Cristianismo não deixou de recorrer ao pensamento, à razão, equiparando-se inclusivamente à verdadeira filosofia. Desde Justino ou Orígenes, passando pelos Capadócios e Agostinho, até chegar a Alberto ou Aquino.

 

Inclusivamente a ideia de que o evolucionismo "Rejeita uma ideia de intencionalidade biológica em prol de funcionalidade física" não é pacífica. Se o autor se refere ao facto do evolucionsmo refutar as concepções mais ingéncuas de "Design", é verdade. Mas isso não implica uma visão secularista do mundo. Apenas que a realidade, e Deus, são sempre mais subtis e inventivos do que supomos.

Se pretenderá que qualquer forma de causalidade final é negada, também é falso. Em "The Antropic Cosmologial Principle", Barrow e Tipler relatam a longa hstória da formulação de princípios de acção na ciência. De Maupertius a Euler ou Leibniz. E mesmo no presente, na formulação da mecânica quântica de Feynman (a "soma de todas as histórias").

 

(cont.)

publicado por J às 11:53

 

Confesso que hesitei.
Não procuro a polémica.
Manifestamente, custa levantar-me do sofá.
E incomodar o bichano que me ronrona no regaço. Descalçar as pantufas. E deixar o chocolate quente a meio. A arrefecer. Um revés que angustia a alma.
Mas o desassossego levou-me a melhor.
 
Não conhecia o Henrique Raposo ( a sua escrita, bem entendido) antes da “ Atlântico”, reconheço. Mas cativou-me. Mês após mês recostava-me no sofá, uma das constantes na minha vida, e degustava os seus maravilhosos escritos. Habitualmente recensões. Cortantes, profundas, conhecedoras. E, não de somenos, divertidas. Sim, porque um bom cronista não é um mero dactilógrafo que debita sentenças. Cinzentas. Enfadonhas. Note-se Miguel Esteves Cardoso. Ou João Pereira Coutinho. Seguramente mais importante do que ostentar ao leitor a suprema sapiência do cronista, será inquietá-lo, desarmá-lo. Com elegância. O que se faz muito mais facilmente com um sorriso. Aqui como noutras coisas da vida…
 
Não quererá isto significar que me via sempre do seu lado da barricada.
Esta dissonância era mais evidente quando o discurso resvalava para certos considerandos… metafísicos.
 
Creio que não me equivocarei se concluir que será… agnóstico.
Talvez não estranhamente. A prudência, uma certa incredulidade, são traços do… conservadorismo. Veja-se … Hume. No seu refreamento às maiores pretensões escolásticas.
 
E ainda mais…
No Cristianismo é dada uma Razão à História. Esta adquire um Sentido. Da Criação, passando pela Queda e a respectiva Redenção, até chegar à Parúsia.
 
Não tanto assim num conservador.
Veja-se Pessoa.
Aqui a História será vista como essencialmente estática. Ou cíclica. O que vai dar ao mesmo.
É claro que tudo isto é bem mais complicado do que aqui apresento. Em Toynbee se esta concepção cíclica se mantém, também o elemento religioso, com o seu corolário no Cristianismo, está presente.
 
Vem isto a propósito de um par de mensagens que Henrique Raposo colocou no seu blog. Em harmonia com as de Tiago Cavaco. Mais um ex-cronista da “Atlântico”. Igualmente um escriba interessante. Inegável.
 
Também aqui tenho discordâncias.
Apesar de igualmente cristão, este é reformado. Baptista, do que posso concluir.
 
Note-se a sua crónica intitulada “Darwin e os esqueletos da Humanidade”, publicada na “Atlântico” nº 17, de Agosto de 2006.
Impecavelmente escrita. Muito bem gizada.
 
Com passagens magnificamente concebidas, cheias de força metafórica. E, sim, que divertem.
Atente-se,
 
“Um religioso que abandona a Teologia tem na maior parte das vezes um motivo sensual forte. No caso de Darwin foram os besouros. Abandonar a teologia por causa de uma mulher suscita solidariedade. O que diremos em relação ao abandono da Teologia por causa de insectos?”
 
Certo…
Bem apanhado!
Esteticamente um trecho belo. Mas epistemologicamente… vazio. Seguindo de pêro Abbagnano, no seu dicionário de filosofia, retórico, no sentido de que é independente “(…) em relação à disponibilidade de provas ou de argumentos que produzam conhecimento real ou convicção racional.”.
 
(cont.)

 

publicado por J às 11:39

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