"Septivium" designava, durante a Idade Média, a totalidade das artes liberais.Constituído pelo "Trivium" e pelo "Quadrivium".Implica que nenhum assunto será vedado.Relembra também as nossas raízes Cristãs.

03
Nov 09

 

Para começar acho...irónico, na falta de melhor palavra, ler, naquilo que era uma revista conservadora, uma certa empatia pelo "pós-modernismo".

 

Nas palavras de Frank Tipler...

"Os jornais estão cheios de afirmações absurdas feitas por professores de Humanidades e Ciências Sociais das universidades de elite, justificando totalmente a afirmação de George Orwell de que algumas ideias são tão estúpidas de que só um intelectual poderia acreditar nelas. A irracionalidade no campo das Humanidades é frequentemente designada pós-modernismo."

 

É isto que aqui se trata? Uma apologia da irrazão? Ou, pior, a sua equiparação à Religião? Dawkins não diria melhor...

 

E a segunda parte? A mentira útil aplicada à religião? A sua redução ao sentimento? À sua utiliade social? Ou uma forma de "Dupla Verdade"? (Que, já agora, nunca realmente existiu, nemem Siger de Brabante.)

 

Lamento muito, mas tal caricatura nunca me arrancaria dos lençois ao domingo de manhã. Desde os seus primórdios que o Cristianismo não deixou de recorrer ao pensamento, à razão, equiparando-se inclusivamente à verdadeira filosofia. Desde Justino ou Orígenes, passando pelos Capadócios e Agostinho, até chegar a Alberto ou Aquino.

 

Inclusivamente a ideia de que o evolucionismo "Rejeita uma ideia de intencionalidade biológica em prol de funcionalidade física" não é pacífica. Se o autor se refere ao facto do evolucionsmo refutar as concepções mais ingéncuas de "Design", é verdade. Mas isso não implica uma visão secularista do mundo. Apenas que a realidade, e Deus, são sempre mais subtis e inventivos do que supomos.

Se pretenderá que qualquer forma de causalidade final é negada, também é falso. Em "The Antropic Cosmologial Principle", Barrow e Tipler relatam a longa hstória da formulação de princípios de acção na ciência. De Maupertius a Euler ou Leibniz. E mesmo no presente, na formulação da mecânica quântica de Feynman (a "soma de todas as histórias").

 

(cont.)

publicado por J às 11:53

 

Confesso que hesitei.
Não procuro a polémica.
Manifestamente, custa levantar-me do sofá.
E incomodar o bichano que me ronrona no regaço. Descalçar as pantufas. E deixar o chocolate quente a meio. A arrefecer. Um revés que angustia a alma.
Mas o desassossego levou-me a melhor.
 
Não conhecia o Henrique Raposo ( a sua escrita, bem entendido) antes da “ Atlântico”, reconheço. Mas cativou-me. Mês após mês recostava-me no sofá, uma das constantes na minha vida, e degustava os seus maravilhosos escritos. Habitualmente recensões. Cortantes, profundas, conhecedoras. E, não de somenos, divertidas. Sim, porque um bom cronista não é um mero dactilógrafo que debita sentenças. Cinzentas. Enfadonhas. Note-se Miguel Esteves Cardoso. Ou João Pereira Coutinho. Seguramente mais importante do que ostentar ao leitor a suprema sapiência do cronista, será inquietá-lo, desarmá-lo. Com elegância. O que se faz muito mais facilmente com um sorriso. Aqui como noutras coisas da vida…
 
Não quererá isto significar que me via sempre do seu lado da barricada.
Esta dissonância era mais evidente quando o discurso resvalava para certos considerandos… metafísicos.
 
Creio que não me equivocarei se concluir que será… agnóstico.
Talvez não estranhamente. A prudência, uma certa incredulidade, são traços do… conservadorismo. Veja-se … Hume. No seu refreamento às maiores pretensões escolásticas.
 
E ainda mais…
No Cristianismo é dada uma Razão à História. Esta adquire um Sentido. Da Criação, passando pela Queda e a respectiva Redenção, até chegar à Parúsia.
 
Não tanto assim num conservador.
Veja-se Pessoa.
Aqui a História será vista como essencialmente estática. Ou cíclica. O que vai dar ao mesmo.
É claro que tudo isto é bem mais complicado do que aqui apresento. Em Toynbee se esta concepção cíclica se mantém, também o elemento religioso, com o seu corolário no Cristianismo, está presente.
 
Vem isto a propósito de um par de mensagens que Henrique Raposo colocou no seu blog. Em harmonia com as de Tiago Cavaco. Mais um ex-cronista da “Atlântico”. Igualmente um escriba interessante. Inegável.
 
Também aqui tenho discordâncias.
Apesar de igualmente cristão, este é reformado. Baptista, do que posso concluir.
 
Note-se a sua crónica intitulada “Darwin e os esqueletos da Humanidade”, publicada na “Atlântico” nº 17, de Agosto de 2006.
Impecavelmente escrita. Muito bem gizada.
 
Com passagens magnificamente concebidas, cheias de força metafórica. E, sim, que divertem.
Atente-se,
 
“Um religioso que abandona a Teologia tem na maior parte das vezes um motivo sensual forte. No caso de Darwin foram os besouros. Abandonar a teologia por causa de uma mulher suscita solidariedade. O que diremos em relação ao abandono da Teologia por causa de insectos?”
 
Certo…
Bem apanhado!
Esteticamente um trecho belo. Mas epistemologicamente… vazio. Seguindo de pêro Abbagnano, no seu dicionário de filosofia, retórico, no sentido de que é independente “(…) em relação à disponibilidade de provas ou de argumentos que produzam conhecimento real ou convicção racional.”.
 
(cont.)

 

publicado por J às 11:39

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